Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira (31) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 43,4% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registra 33,7% no principal cenário da disputa pela Presidência da República. A diferença entre os dois é de 9,7 pontos percentuais.
Considerando apenas os votos válidos, Lula aparece com 43,5%, contra 33,8% de Flávio Bolsonaro.
Apesar da vantagem do presidente, a série mensal do levantamento indica perda de tração dos dois principais nomes. Lula registrava 44% em abril, avançou para 46% em junho e agora aparece com 43,4%.
Flávio Bolsonaro apresenta uma trajetória de queda mais acentuada no período: passou de 39% em abril para 37% em junho e chegou aos atuais 33,7%.
Os números mostram, portanto, uma redução das intenções de voto tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro nos últimos meses, embora o presidente mantenha vantagem no cenário analisado.
A pesquisa realizada pelo instituto no mês de maio permanece suspensa por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O movimento mais surpreendente desta rodada foi o avanço de Augusto Cury (Avante), que chegou a 7,8% e assumiu a terceira posição. Renan Santos (Missão) também avançou e aparece com 7,6%. Na sequência, Ronaldo Caiado (PSD) tem 3,3% e Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível, marca 1,9%. Romeu Zema (Novo) registra 1%, enquanto outros candidatos somam 1,2%.
Onde Lula encontra sua vantagem
A vantagem de Lula continua assentada em uma coalizão eleitoral bastante conhecida: mulheres (48,4%), Nordeste (52,4%), eleitores com mais de 60 anos (63,9%), católicos (54,3%) e pessoas com ensino superior (50,6%). Na renda, o padrão é menos linear: o presidente tem desempenho mais forte nas faixas de menor renda e volta a avançar entre os eleitores de maior renda, enquanto as faixas intermediárias são mais competitivas.
A força de Lula também é muito maior entre seus eleitores de 2022. 98,5% da esquerda lulista e 88,7% de quem votou nele no segundo turno de 2022 permanecem com o presidente. A fidelidade é menor entre a esquerda não lulista, mas ainda chega a 87,5%. O presidente também lidera entre os independentes: 38,2%.
Onde Flávio avança
Flávio reproduz, em grande medida, o mapa eleitoral oposto ao de Lula. É mais forte entre evangélicos (51,7%), no Centro-Oeste (43,3%) e entre eleitores de 45 a 59 anos (43,3%), além de concentrar praticamente toda a direita bolsonarista: 96,6% desse eleitorado declara voto nele. Ele também retém 69,4% dos votos que foram de Jair Bolsonaro em 2022.
Entre os independentes, o senador alcança o apoio de apenas 26% deste segmento, indicando que sua consolidação como principal candidato da direita ainda não se traduziu em uma expansão equivalente para o eleitorado menos ideologizado.
Lula mantém vantagem no 2º turno
No confronto direto com Flávio, Lula marca 47,1%, contra 42,6% do senador, uma diferença de 4,5 pontos. O presidenciável do PL praticamente não variou entre julho e agosto, enquanto o presidente recuou 2,1 pontos em um mês, de 49,2% para 47,1%. A queda do presidente reduz sua vantagem no segundo turno, mas não muda o quadro de liderança: a disputa está mais apertada, embora Lula ainda preserve uma diferença de 4,5 pontos.
Em resumo, o presidente mantém vantagem tanto no primeiro quanto no segundo turno, enquanto o senador se consolida em um patamar mais próximo ao de Lula. O desafio de Flávio, porém, está além da consolidação da direita: ele ainda precisa avançar entre eleitores independentes e outros segmentos fora de sua base para converter a força do bolsonarismo em maioria nacional.

Sobre a pesquisa
O levantamento consultou 5.014 eleitores pela internet entre 25 e 30 de agosto. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07972/2026.



